sexta-feira, 5 de dezembro de 2025







Eu lascava suas carnes com os dentes, porque contra ele, nada podia  fazer. Quanto mais eu a lascava mais intensamente ela o beijava;  todas as vezes que tentava contra, faltavam-me forças para fazê-lo. Inda vejo seu sorriso irônico, ela linda, maravilhosa, beijando-o. Eu a despi toda com os dentes e ela, como se estivesse numa passarela, andou para  ele e beijou-o; todos me olhavam com sorriso na cara. Isto me tornava mais possesso e inda mais impotente. Por fim, ví-los se afastarem de como se estivessem deslizando no chão e foram se afastando até quando me percebi longe deles até que eu quase não os via. E eu ali sozinho, ninguém para a mão no meu ombro. Até quando isto vai durar? Ela diz que só a ama mim, não me contenho, entretanto, sinto que me estou corroendo por dentro.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

          


                     Ela estava tomando banho, não se ela que estava ali, fala com alguém não deva para perceber. Uma voz conhecida, mas não identificada. Ela dizia, eu fui para voltar, mas ele quis dormir. Ele, ele quem pergunta a voz. Ela se calava.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

 


         Diante de tanta fome, quem tem a barriga cheia, não vale o que lhe sai de dentro. E a crentaiada, por provar ter sido escolhida, querendo fazer fortuna. Quanto, um Baccarat, um Dom Pérignon, a trufa branca? E tu inda vota no patrão!

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

 




              Dopo, sim, depois quero Irene dá sua risada! Melhor quem ri por derradeiro. Um bando de gente sem cabeça,  ou com, mas vazia, seguia o caminho mais difícil porque alguém lhe prometeu a bem-aventurança lá na frente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

 



         Tocando seus instrumentos, subiam todos a Ladeira do São Bento, dançando à sua maneira, machos para conquistar a fêmeas e estas a conquistar os machos. Uns, à guisa de fantasia, portavam algum adereço que se podia transformar em arma. O pessoal da segurança, tomava de um e de outro estes adereços, macar, não pudessem desarmar a todos. Me via jovem e conquistador de lindas mulheres e tantas eram que as oferecia aos amigos e todas aceitavam minha indicação. Não posso entender a razão deste poder. Mandei-as para muitos e era invejado por causa disto. Alguém prometeu-me uma surra e não foi Gerald Thomas, disseram-me de Osvaldo Sousa, mas não acreditei, maguer, realmente tivesse ficado amedrontado. Pior seria se demonstrasse medo. Mentira que não haja homem sem medo, eles simplesmente sabiam esconder o medo e se tornaram heróis. Assim queria eu fazer e fazia. Como era mesmo nome daquela morena? Me esqueci. 


                        

domingo, 16 de junho de 2024

O HOMEM E





                        E eu era a única branca na prisão e, tu estás nos Estados Unidos que se vangloria de ser uma democracia. Uma democracia que usa as prisões para segregar; para matar negros e não saxões em doses homeopáticas; muito barato o sistema. Os brancos saxões pagam parte de tua despesa, o resto tu o pagas com tua escravidão; mudou muito pouco, non é vero? As mulheres negras estavam ali, algumas há anos e muitas nunca tinham ouvido no meu nome e tampouco viram qualquer dos meus filmes. Elas tinham coisas muito mais importantes para tratarem. Um passado, um presente e um futuro jogados fora; ou roubados pelos saxões; elas, imagino, deveriam querer minha morte, causa única de suas prisões; agora entendo o terror que os piratas saxões infundiam no mundo; onde que passassem, pilhagens, estupros e sangue. Uma Bíblia nu’a mão e noutra, a espada suja de sangue. Um Deus saxão furava os tambores da terra; em frente à minha cela ficava sempre um guarda, branco, evidentemente, para me proteger; eles, na verdade, não queriam que eu, a branca, sofresse qualquer constrangimento, embora, o sofrimento estivesse ali, em cada canto. Não 

O SILÊNCIO DA CIDADE