sexta-feira, 12 de junho de 2026

 



           Montado em meu cavalo das estampas de Eucalol, viajava o mundo inteiro e nunca ficava só. Montado no meu cavalo, passeava o mundo inteiro, do nascer ao pôr-do-sol, muitas belas me fitavam, pois queriam se casar. Sempre lhes dizia não, pois já namorada, a primeira que me deu a mão.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025







Eu lascava suas carnes com os dentes, porque contra ele, nada podia  fazer. Quanto mais eu a lascava mais intensamente ela o beijava;  todas as vezes que tentava contra, faltavam-me forças para fazê-lo. Inda vejo seu sorriso irônico, ela linda, maravilhosa, beijando-o. Eu a despi toda com os dentes e ela, como se estivesse numa passarela, andou para  ele e beijou-o; todos me olhavam com sorriso na cara. Isto me tornava mais possesso e inda mais impotente. Por fim, ví-los se afastarem de como se estivessem deslizando no chão e foram se afastando até quando me percebi longe deles até que eu quase não os via. E eu ali sozinho, ninguém para a mão no meu ombro. Até quando isto vai durar? Ela diz que só a ama mim, não me contenho, entretanto, sinto que me estou corroendo por dentro.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

          


                     Ela estava tomando banho, não se ela que estava ali, fala com alguém não deva para perceber. Uma voz conhecida, mas não identificada. Ela dizia, eu fui para voltar, mas ele quis dormir. Ele, ele quem pergunta a voz. Ela se calava.

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

 


         Diante de tanta fome, quem tem a barriga cheia, não vale o que lhe sai de dentro. E a crentaiada, por provar ter sido escolhida, querendo fazer fortuna. Quanto, um Baccarat, um Dom Pérignon, a trufa branca? E tu inda vota no patrão!

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

 




              Dopo, sim, depois quero Irene dá sua risada! Melhor quem ri por derradeiro. Um bando de gente sem cabeça,  ou com, mas vazia, seguia o caminho mais difícil porque alguém lhe prometeu a bem-aventurança lá na frente.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

 



         Tocando seus instrumentos, subiam todos a Ladeira do São Bento, dançando à sua maneira, machos para conquistar a fêmeas e estas a conquistar os machos. Uns, à guisa de fantasia, portavam algum adereço que se podia transformar em arma. O pessoal da segurança, tomava de um e de outro estes adereços, macar, não pudessem desarmar a todos. Me via jovem e conquistador de lindas mulheres e tantas eram que as oferecia aos amigos e todas aceitavam minha indicação. Não posso entender a razão deste poder. Mandei-as para muitos e era invejado por causa disto. Alguém prometeu-me uma surra e não foi Gerald Thomas, disseram-me de Osvaldo Sousa, mas não acreditei, maguer, realmente tivesse ficado amedrontado. Pior seria se demonstrasse medo. Mentira que não haja homem sem medo, eles simplesmente sabiam esconder o medo e se tornaram heróis. Assim queria eu fazer e fazia. Como era mesmo nome daquela morena? Me esqueci. 


                        

domingo, 16 de junho de 2024

O HOMEM E





                        E eu era a única branca na prisão e, tu estás nos Estados Unidos que se vangloria de ser uma democracia. Uma democracia que usa as prisões para segregar; para matar negros e não saxões em doses homeopáticas; muito barato o sistema. Os brancos saxões pagam parte de tua despesa, o resto tu o pagas com tua escravidão; mudou muito pouco, non é vero? As mulheres negras estavam ali, algumas há anos e muitas nunca tinham ouvido no meu nome e tampouco viram qualquer dos meus filmes. Elas tinham coisas muito mais importantes para tratarem. Um passado, um presente e um futuro jogados fora; ou roubados pelos saxões; elas, imagino, deveriam querer minha morte, causa única de suas prisões; agora entendo o terror que os piratas saxões infundiam no mundo; onde que passassem, pilhagens, estupros e sangue. Uma Bíblia nu’a mão e noutra, a espada suja de sangue. Um Deus saxão furava os tambores da terra; em frente à minha cela ficava sempre um guarda, branco, evidentemente, para me proteger; eles, na verdade, não queriam que eu, a branca, sofresse qualquer constrangimento, embora, o sofrimento estivesse ali, em cada canto. Não 

O SILÊNCIO DA CIDADE

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

IKUKO

 



                     

                          

                              Sodade, meu bem, sodade, foi-se embora pro Japão, machucou meu coração. Ikuko, a baixinha do Cipango, como quase todos ali, olhou pra ele e riu. Rir é linguagem universal da amizade, do carinho do amor e ele sabia que dali alguma coisa ia sair. Y.M.C.A, Foi nele. Descendo para o café? The kogente chamava o café da Jandir

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

VAI TIRAR DALILA

       


              Sentados na pedra, ela e eu. Olhávamos o desfile n’avenida. brilhantes casacos de marmota, elegantes chapéus na cabeça. Assim se mostram as pessoas. Ó. Sentados na pedra, ela e eu mergulhados na multidão d’avenida saltitante d’homens caçadores, de fêmeas seminuas, como lobas no cio, retorcendo-se para o mundo, espalhando desejos inconfessos, ânsia de amar, de gozar e morrer. Vai buscar dalila, vai buscar dalila, rapaz! Vai tirar Dalila, vai tirar Dalila, rapá, daquela confusão. É o apocalipse. É o apocalipse, na tira. Jesus está voltando, irmão! Tá mesmo? E vai ser uma grande confusão. E eu vou comer, eu vou comê-lo, no meio da confusão! Vai buscar Dalila, vai buscar Dalila, irmão! Ih!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

     



                      Ele estava sentado de pernas cruzadas, à maneira de Buda ela encostou a cabeça no colo dele e ele começou a desabotoar a braguilha. Eu a puxava pelas pernas e ela se agarrava a ele. Alguns amigos deles vinham pelo corredor expressando sons lascivos de um coito. Chegaram e olharam para mim, fazendo gozação, com os dedos na cabeça,  chamando-me. Você tá doido para que eu diga. Não vou dizer. Peguei de um serrote, ele estava bem afiado, cortar seu pescoço, força e não corria sangue e não morria e ela ria, de mim que chorava, gritando seu nome, pedindo perdão, ela ria. 

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

REFLORESTAMENTO

               

                  Que fazer? A máquina da destruição corre à frente da que contrói. Isto dói, isto dói.

 



                    Não me importo com eles, se  quiserem podem sair pelo mar. O mar é livre. Não querem livrez? Corpos boiando feito merda ao sabor da ondas. Não, ela não tem bigodim, nem pênis, né, Freud? Manca-lhe, um e lhe trás sofrência e no sofrimento do outro, a sublimação. má, só por isso. Perversa e pervertida. Que nos resta? Dizer é crime. Aqui, mesmo respirar, é crime. Falar, nem se fala. Tiram-te emprego, oportunidades, tudo muito silenciosamente e tu não sabes porquê estás sendo recusado. A ditadura do esquecimento, do ostracismo, do cancelamento. Você quer mais. Tiveram um bom mestre. Bons, superaram-no, alunos. E para entrares em alguns países tiram-te toda roupa, para se certificarem de não és um terrorista carregando uma arma secreta para matar pessoas. Por baixo do pano, minam ações e palavras que julguem ofensivas. Juízes da própria causa. E tu ficas paralisado, um dálite onde quer que se apresente.

                       

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

BIGORRILHO

 

               Lá em casa tinha um bigorrilho, bigorrilho fazia mingau, bigorrilho foi quem me ensinou a tirar o cavaco do pau.                                           Trepa, Antônio eu também sei tirar o cavaco do pau. O pau quebrou em 1964 e Jorge Veiga me sai com esta. Não, o contrário, primeiro Jorge Veiga no carnaval, depois o pau quebrando em primeiro de abril. De longe, vi o bigorrilho. Nele, escrito, táxi. Por favor, Uruguai. Uruguai? Assustou-se o taxista. Sim. Oh, não mijne heer. É fevereiro, tem carnaval, não ‘stou na Bahia, estou em Amesterdão.