sábado, 27 de maio de 2017

CIGARRO EM SUA BOCA














                                         


                                     Por mais que eu queira não consigo me desvencilhar dela. Mijn God. Tenho-a na vigília, no sono intranquilo, na pachorra das tardes calorentas. Ela e eu, estávamos num ônibus, ou num trem, ou... como saber? A penumbra não nos deixa. Homens, não me lembro de haver mulheres. Provocadora, ela pediu um cigarro. Que não lho dessem,  mas ela, bela, insistia. Alguém resiste à beleza? Todos lhe ofereceram cigarro. Ela o pegou da mão  de um, olhando-os sedutoramente, que acudiram a acender-lhe o pito. Puxou o fumo e jogou-o na minha cara. Não me incomoda seu  cheiro, mas não quero que fume. Já teve pneumonia uma vez, e foi proibida de fumar. Eu estirei o braço para tirar o cigarro de sua boca. Meu braço não o alcançava, mas começou a crescer, crescer e quanto mais crescia mais distante e pequeno ficava o cigarro. Ela soltava baforadas no meu rosto. Os rapazes riam de mim, impotente. Envergonhado, aos soluços, fugi. Tudo em mim corre sem caminhos, não saber, nem querer. Daar ga ik. E, estou agora, em casa. Em Capela, que deixei há exatos 610 anos, hoje modificada e transformada em hotel, por minha prima Nini.  Na frente, a gente chamava varanda, agora havia uma escada, dando no  segundo piso, agora, também uma varanda, onde se serviam bebidas, comidas e tira-gostos. Subi esta escada e encontrei uma amiga, nossa, meu e dela, hoje, mais dela do que minha. Aquela está perdida, disse-lhe. Está, já fiz de tudo, rapaz, ela não enxerga, disse-me. Eu vou lá, vou mostrar com quantos paus se faz uma arapuca, para aprender que não se deve insultar um homem, disse eu. Chatamata, por ser mulher,  fere-me de morte.  Não, cara, não adianta, só vai sobrar pra você, você bem  sabe que é assim. Olha a Lei Maria da Penha. Deixa, só se aprende, apanhando. Deixa ela quebrar a cara, aí vai descobrir, quem realmente a ama. Estes caras só querem se aproveitar, tomar sua grana, já lhe disse, não adiantou. Desci a escada em abalada, riram de mim. Tentei dar-lhe um soco na cara. O braço não ia, pesado, tacape de jucá. Riam-se do meu esforço em vão. Minha amiga gritava do alto. Eles gritavam embaixo. Ela, zombava de mim. Stap op mij. Não sei onde estou, o que era, não mais é. Não mais respiro, o coração parou, os ossos se diluíram. A quem entregar minh´alma, se em nada acredito? Oh, Infinitude, onde queres me levar, neste compasso de jongo? Deixa-me escorregar para dentro de mim, que não me aborreçam as mugangas dos homens.

Um comentário:

  1. cheguei até aqui através dos blogues da Vitalina de Assis do qual sou seguidor :"Afinal todo mundo tem seu dia de spike e Avessamente".
    Perdoe não fazer um comentário especifico do seu texto agora, ,as já a estou seguindo e prometo ler se possível boa parte do seu blog.
    E convido você a conhecer os meus, o que me deixaria honrado.
    Um abração carioca.

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